Eu juro não é você sou eu. Não dá mais, antes você me completava hoje me sufoca. Não dá mais… Tentei evitar por meses, sofria com a possível despedida que hoje é real. Éramos eu, você, uma geladeira amarela e livros. A culpa é minha, da vida, do amadurecimento. Talvez a culpa seja da cristaleira que me olha e diz “vou ficar linda na sua sala de jantar”. Antes o miojo era na cama debaixo do edredom.
Agora sou adulta, comprei coisas é o ciclo da vida. Tenho 1.598 copos e taças e não bebo mais coca-cola no copo de requeijão.
Eu não vou te esquecer. Prometo. Só você soube me ouvir sem me interromper nesses mais de três anos. Me acolheu quando mais precisei, parecia que estava a minha espera, com a melhor vista da cidade!
Cada furo na parede conta um pouco da nossa história, o que vivemos aqui e tem um pouco de cada um que conviveu com você ou ao menos veio te conhecer e te elogiar.
Com você vivi experiências que me transformaram em uma pessoa muito melhor ou menos pior, e por isso me separar de você tem sido tão doloroso. Torço para que o novo morador te dê o seu devido valor, porque você é foda! Até mesmo quando não pegava o sinal do wi-fi.
Obrigado por tudo Apê 117. Essa despedida tem me mostrado que o nosso verdadeiro lar é onde estão as coisas e as pessoas que amamos, e isso eu levo comigo nessa nova fase da minha vida.
Saudades. Volto para te ver…
Agora como visita.

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