Esse título não é de minha autoria, mas de Mia Couto escritor genial moçambicano que admiro muito. Ouvi essa frase pela primeira vez através do PE. Fábio de Melo, e ao começar a escrever não consegui pensar em um título com maior maestria.
Falar sobre morte é um tabu. A gente vive como se não fosse morrer, talvez pelo nosso ego não sei. Fato é que nunca estamos prontos para falar sobre a morte, pois desde a nossa infância temos uma relação imaginária da morte, até ter contato com ela de perto e sentir a real perda. Perda não completa, mas sim de corpo físico, pois as lembranças serão eternas.
Acordamos todos os dias e fazemos planos diários, mensais. Mas e se de repente você morre? O velho clichê a vida realmente é um sopro. E quando a morte chega ela congela. Nos rasga por dentro. É um túnel de imenso silêncio.
Passados esses longos segundos, vem o desespero. A falta de ar, as dores no corpo, as lágrimas rolando, a perda não consentida. Você fecha os olhos e sussurra a si mesmo “isso não é real, já vai passar”, mas ao abrir os olhos lentamente aquela dor esmagadora é real. Porque quando morre alguém, se enterra junto os projetos e os sonhos desse morto amado.
De uma hora para outra você tem que lidar com a casa vazia, o cheiro deixado nas roupas, as anotações na agenda, a comida preferida na geladeira. Como lidar com o maior mistério da vida?
A psicanálise enumera quatro fases do luto: negação, realização da perda, reiteração da perda e herança. De acordo com esses estágios iniciamos com a negação em que não aceitamos que o morto amado tenha morrido, e a realização da perda é o vazio que sentimos quando ficamos chorando pelos cantos. Então chegamos à reiteração da perda que é quando vamos contando o tempo da ausência, uma semana, um mês, um ano. Finaliza com a herança que é o legado que o morto amado deixou.
E a vida segue, mesmo com o coração sangrando. Pois, nascemos e morremos sozinhos, e as dores da vida sempre irão existir e vamos ter que passar por elas todos os dias. As lembranças e a falta diária irão se transformar em saudade. Uma saudade dolorida e pulsante.
Olha só a ironia, a beleza da vida é a existência da morte. Por isso temos que dar valor á todos os pequenos e grandes momentos, pois a cada amanhecer vamos morrendo o pouquinho que se morre todo dia…
Sigamos em frente, enquanto ainda temos o nosso tempo.

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